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UM REI SÁBIO
Era uma vez um rei muito sábio, que
governava com amor, compaixão e justiça, e que por isso era adorado pelo
povo. No dia do seu aniversário, os súditos lhe deram um presente: um magnífico
anel, adornado por uma bela jóia preciosa. Só que o anel era, na verdade, um
relicário, pois guardava em sua câmara secreta uma jóia ainda mais valiosa.
Ao entregar o presente ao rei, o grão-vizir deu a seguinte instrução:
“Vossa Majestade só poderá abrir o anel e usar a verdadeira jóia que ele
contém em casos extraordinários , de profunda aflição ou de intensa
alegria”. O soberano garantiu que iria cumprir fielmente essa determinação
e colocou o anel no dedo - que aliás, lhe serviu perfeitamente.
O reino vivia em paz há muitos séculos. Porém, certo
dia, o rei vizinho, ambicionando novas terras, preparou-se para invadir os domínios
do nosso justo soberano. Este, com coragem que o caracterizava, colocou-se à
frente do seu exército. A sorte lhe foi adversa: no campo de batalha, perdeu
a lança e depois a espada, e assim desarmado, foi perseguido por vários
soldados inimigos. No afã de fugir, o corcel do valoroso rei seguiu por uma
estrada próxima, bem acidentada, que margeava um abismo profundo. Justamente
no ponto mais perigoso do caminho, o cavalo tropeçou e, no impacto,
arremessou o rei no abismo.
O rei morreu? Não, o rei não morreu, dessa
vez, a sorte lhe foi favorável. É que a uns metros do alto precipício havia
uma árvore de galhos fortes e longos, e o nosso soberano ficou enganchado num
deles. Uma outra notícia foi que os soldados inimigos não viram o acidente e
se guiaram apenas pelo ruído do galope da montaria real, disparando em seu
encalço. Ou seja: os perseguidores se foram.
O rei, seguro apenas pelo cangote, balançava
como pêndulo no galho da árvore sobre o abismo, prestes a cair a qualquer
instante. Situação deveras aflitiva, ele reconheceu. E, reconhecendo,
lembrou-se do anel, compreendendo que, nas circunstâncias presentes, o seu
uso era plenamente justificado. Com cuidado, afastou a pedra do anel,
abrindo-o.
No momento em que a jóia foi aberta, um minúsculo
e misterioso dispositivo lançou um diminuto papiro em sua câmara secreta.
Com mais cuidado ainda, o rei apanhou o minúsculo papiro, desenrolou-o e leu
a seguinte mensagem: “Isto passará”.
Três minutos ainda não haviam transcorrido
quando apareceram soldados no alto da ribanceira. O rei olhou, conferiu o que
estava vendo e se alegrou muitíssimo: eram os seus soldados! Estes, com
habilidade, conseguiram resgatá-lo e o conduziram em glória a o seu reino.
Festas, comemorações, aclamações, vitória
sobre os invasores! Intensa alegria espalhou-se pelo reino. O próprio rei,
sentindo-se campeão, deixou-se arrebatar por um verdadeiro frenesi de alegria
e de orgulho pela vitória alcançada. Foi aí que novamente lembrou do anel,
que só poderia ser aberto em caso de extrema aflição ou intensa alegria.
Era, pois, o caso. Abriu-o e encontrou a seguinte mensagem: “Isto também passará”.