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OS MANDAMENTOS DE DEUS
Nisto consiste o Amor: "que vivamos segundo
seus mandamentos"
(II João, 6), os quais, são compreendidos por dez "preceitos"
distintos entre si. Estes "preceitos" são a síntese da vida moral do
crente (cristão), ou seja também daqueles que crêem em Deus, respeitando,
obedecendo, acatando e cumprindo sua Lei divina.
"Amar a Deus" significa colocar em "prática" os preceitos divinos,
através dos quais, é construído o fundamento e o alicerce que
sobre eles se formará e erguerá a "estrutura" equilibrada e firme da vida
terrena do homem em relação a Deus, à família, à sociedade, e aos indivíduos de
um modo geral.
Os dez mandamentos foram prescritos nas tábuas da Lei por Deus com
manifestações sobrenaturais do poder divino, no monte Sinai à vista de Moisés,
para que ele orientasse e guiasse o Povo israelita no deserto, após a libertação
deles da escravidão do faraó no Egito.
Jesus atestou a perenidade do decálogo, que é o conjunto dos dez mandamentos de Deus, praticando-o e pregando-o. Fiel às Escrituras e conforme o
exemplo de Jesus, a Igreja reconheceu no decálogo um significado e uma
importância primordiais. O decálogo forma uma unidade orgânica, onde cada
mandamento remete a todo o conjunto. Transgredir um mandamento é infringir toda
a Lei.
A Lei é uma instrução paterna de Deus, onde apresenta os caminhos para a
felicidade e proscreve os caminhos do mal, mas somente Cristo, ensina
e concede a Justiça de Deus, ou seja, a salvação que vem de Deus. A nossa
justificação foi merecida pela Paixão de Cristo, sendo-nos concedida pelo batismo, através do qual é apagado a culpa do pecado original, que herdamos dos
primeiros pais (Adão e Eva), reconciliando-nos com Deus Criador.
PRIMEIRO
MANDAMENTO
"Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o
entendimento"
"Não terás outro Deus além de Mim"
Este mandamento convida o homem a crer em
Deus, a esperar nele e a amá-Lo acima de tudo e de todos. O homem tem o dever de
cultuar e adorar a Deus, tanto individualmente quanto em sociedade.
A
superstição é um desvio do culto que rendemos ao verdadeiro Deus, demonstrado na
idolatria, na adivinhação e na magia. Os que colocam sua confiança e razão de
ser em outros deuses são idólatras, pois, prostrando-se em adoração dos falsos
ídolos praticam a idolatria, que é abominada por Deus; sendo hoje em dia muito
praticada através do culto da televisão, do prazer e do dinheiro, da soberba e
do orgulho, dos divertimentos e da impureza, do egoísmo e do ódio (violência), e
do culto que é dado a Satanás (seitas, feitiçaria, bruxaria, espiritismo, etc.).
Enfim, negar o culto devido só a Deus para dá-lo às criaturas (homem) e ao
próprio Satanás. São também pecados contra o primeiro mandamento: o ateísmo, o
sacrilégio, a simonia e a ação de tentar a Deus, seja por palavras ou por
atos. "Este povo somente me honra com os lábios; seu coração porém,
está longe de
Mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vem dos
homens!" (Mateus 15, 8-9)
SEGUNDO
MANDAMENTO
"Não pronunciarás em vão o Nome do Senhor teu
Deus"
O Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu Nome em vão. -
"Santificado seja o Vosso Nome". - Não nominar o nome de Deus em vão. – Não
jurar pelo nome de Deus, nem pelo Céu que é Seu trono, nem pela Terra que é o
escabelo dos Seus pés.
Este mandamento prescreve respeitar o nome do Senhor, que é Santo. Proíbe,
assim, o uso impróprio ou injuriosa do nome de Deus. O juramento falso invoca
Deus como testemunha de uma mentira e, por isso, é falta grave. "Eu
Sou aquele que sou", ou seja, não existe outro nome abaixo ou acima dos
céus.- Aqui cabe
também, em "não blasflemar o nome de Deus e do seu Cristo de tantos modos
enganosos e diabólicos, até reduzir o Seu nome a uma "marca" comercial
indecorosa e a fazer filmes sacrílegos sobre Sua vida e sobre sua divina Pessoa"
(MSM, 3.6.89). Os privilégios, a "imagem" e a santidade da Virgem Maria, Mãe de
Jesus Cristo devem ser também respeitados e venerados, evitando assim, as falsas
interpretações humanas e adaptações racionalistas, bem como, o nome e a vida dos
santos de Deus.
"Que o nome de Deus não esteja sempre na tua boca, e que não
mistures nas tuas conversas o nome dos santos, porque nisso não estarias isento
de culpa" (Eclo 23,10)
TERCEIRO
MANDAMENTO
"Lembra-te do dia do sábado para
santificá-lo"
Guardar os domingos, os dias santos e as festas de preceito. O sábado, que representava o término da Criação (descanso de Deus), foi substituído pelo
domingo, dia da ressurreição de Cristo . No domingo e também nos dias de festa
de preceito, os fiéis devem participar da santa Missa, abstendo-se das
atividades e negócios que impeçam o culto a Deus. A instituição do domingo
contribui para que todos tenham tempo de repouso e lazer suficientes para lhes
permitir cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa. - O dia do
Senhor é um dia abençoado, e deve ser santificado, ou seja, não transformar o
domingo em "week-end", no dia do esporte, das corridas, dos divertimentos, do
trabalho e dos negócios. "Trabalharás durante seis dias, e farás toda
a tua obra. Mas o sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não
farás trabalho algum" (Êxodo 20, 9)
QUARTO MANDAMENTO
"Honra teu pai e tua mãe"
Este é o único mandamento que é
acompanhado de uma promessa do Senhor: "Honra teu pai e tua mãe, para que
sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra" (Deut. 5, 16).
Ele prescreve o fundamento da instituição da família, na visão de Deus Pai,
através do sacramento do matrimônio, ficando portanto, excluídos novos modelos
de família fundados sobre a convivência, a "união livre", etc.,
clandestinamente, alheios ao sacramento. Deus deu autoridade aos pais sobre os
filhos para o próprio bem deles. O casamento e a família estão ordenados para o
bem dos cônjuges, a procriação e a educação dos filhos, no temor ao Senhor. Os
pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos, provendo-os de suas
necessidades físicas e espirituais, inclusive a transmissão da fé, da oração e
das virtudes, e também devem favorecer a vocação de seus filhos no seguimento a
Cristo. São deveres dos filhos quanto a seus pais: respeito, gratidão,
ajuda e justa obediência aos seus princípios, conselhos e orientações, evitando
quanto possível as más companhias, que desvirtuam a boa educação e corrompem os
bons costumes que recebemos dos nossos pais. "Honra teu pai de todo coração,
não esqueças os gemidos de tua mãe; lembra-te de que sem eles não terias
nascido, e faze por eles o que fizeram por ti" (Eclo 7,29-30)
QUINTO
MANDAMENTO
"Não matarás"
Desde o momento da concepção até a morte, a vida humana é sagrada já que
foi criada à "imagem e semelhança" de Deus vivo e santo. Por isso, assassinar um
ser humano ou tirar a própria vida é gravemente contrário à dignidade da pessoa
e à santidade do Criador, exceto quando em legítima defesa, quando se tira de um
opressor injusto a sua possibilidade de prejudicar. Significa este mandamento,
observar e acatar o respeito devido ao valor da vida humana, desde sua origem
(concepção) até o término do curso natural da vida terrena, seja ela por
velhice, doença, acidentes, etc., sem contudo, legitimar e utilizar outros meios
"artificiais", clandestinos e perversos para tirar a vida natural dos seres
humanos.
"Com efeito, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, refreie sua
língua do mal e seus lábios de palavras enganadoras; aparte-se do mal e faça o
bem, busque a paz e siga-a" (I Pedro 3, 8-11)
SEXTO
MANDAMENTO
"Não cometerás adultério" – "Não cometer atos
impuros"
O Amor é a vocação fundamental e originária do ser humano. Conforme
distribuído por Deus, cada um, deve reconhecer e aceitar sua identidade
original, conforme a lei natural da Criação de Deus, que é sábia e imutável. A
aliança que os esposos contraíram livremente, implica um amor responsável e
fiel, que obriga a um casamento indissolúvel. Este mandamento prescreve que
cada pessoa, segundo seu próprio estado de vida, leve uma vida de castidade, da
qual Jesus é o modelo perfeito, ou seja, abstendo-se de práticas íntimas
clandestinas antes ou fora da união conjugal, que se realiza com o sacramento do
matrimônio. Todo indivíduo batizado é chamado a levar uma vida casta, incluindo
a aprendizagem do domínio pessoal. A observância da castidade implica também em
que qualquer "forma de impureza" (fornicação, adultério, pornografia, livre
união, etc.) não deve ser justificada, exaltada, acatada e propagada, a ponto de
justificar até os atos contra a natureza (homossexualismo). A castidade do corpo
e da alma implica ainda, em usar de disciplina e pureza nas palavras, nas
conversas, nas atitudes, gestos, no lazer (diversão, programas, cinemas), etc. ,
seguindo os princípios da moral cristã, não se conformando, contudo, com o que o
"mundo" apresenta. Todo pecado se comete fora do corpo, mas o da impureza é
uma usurpação contra a integridade do próprio corpo, porque mancha e destrói o
"templo" onde Deus soprou o seu Espírito Santo, devendo portanto, ser conservado
na pureza e na castidade. "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão
Deus!" (Mateus 5, 8)
SÉTIMO
MANDAMENTO
"Não roubarás"
Este mandamento prescreve a prática da justiça e da caridade
na administração dos bens terrenos e dos frutos do trabalho humano. Implica em
não usurpar ou tirar um bem ou coisa que é de outrem contra a vontade do
proprietário, trabalhando, por conseguinte, para não difundir cada vez mais os
furtos, a violência, os seqüestros, e os roubos; assim como, evitar quaisquer
formas de desonestidades que se comete contra o "próximo", desrespeitando sua
dignidade pessoal. Todas as formas de servidão humana são proibidas na lei
moral, pois o homem não é um mero objeto; bem como, os maus tratos dados aos
animais irracionais. Quanto à "esmola" dada aos pobres, é um testemunho de
caridade fraterna e também prática de justiça que agrada a Deus.
"Ao ladrão
estão reservados a confusão e o arrependimento" (Eclo 5, 6)
OITAVO
MANDAMENTO
"Não prestarás falso testemunho contra teu
próximo"
Este mandamento implica em praticar a
virtude da verdade, mostrando-se verdadeiro no agir e no falar,
usando de lealdade e caridade para com o próximo, afastando-se do
sensacionalismo, duplicidade, simulação e hipocrisia (obs: a verdade dita sem
nenhum propósito, que humilha e ridiculariza o "próximo" deve ser evitada,
devendo-se usar de discrição e boa educação, conforme se apresentarem as
circunstâncias, ou seja, usar de moderação e disciplina no falar). A mentira
consiste em dizer o que é falso, com a intenção de querer enganar ou prejudicar
o irmão, que tem direito à verdade. A Igreja orienta para que os meios de
comunicação social sejam usados com moderação e disciplina porque a sociedade
tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça. E
ainda implica, na observância de que não se propague cada vez mais a lei do
engano, da mentira, da falsidade.
"Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas
só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos
que ouvem" (Efésios 4, 29)
NONO
MANDAMENTO
"Não cobiçarás a mulher do teu próximo"
Este mandamento adverte contra a concupiscência carnal, entendendo-se que
não se deve cobiçar a filha, a esposa, a namorada, a companheira, a serva, etc.
do próximo, seguindo a mesma linha de discernimento na condição oposta,
distinguindo porém, em cada criatura humana a "imagem e semelhança" de Deus.
Essa luta exige a pureza do coração e a prática da temperança, isto é, a oração,
a prática da castidade, a pureza da intenção e do olhar, o pudor. Devemos
nos lembrar que somente aqueles que tiverem o coração puro é que verão a Deus
(Mt 5, 8). Então,
"Adão pôs à sua mulher o
nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes" (Gênesis 2, 18 e
3, 20)
DÉCIMO
MANDAMENTO
"Não cobiçarás coisa alguma que pertença ao teu
próximo"
Aqui neste mandamento está prescrito que
não é legítimo e oportuno cobiçar e querer os bens ou "direitos" que pertencem
ao próximo, tais como: a casa, o carro, o boi, o jumento, a propriedade, a
mulher, o servo, a serva, etc., os quais, foram conquistados por direito, ou com
o suor do seu trabalho.
Este mandamento proíbe a ambição desregrada, nascida da paixão imoderada
das riquezas e do poder, que leva a um vício capital: a inveja, que pode
ser combatida pela benevolência, humildade, confiança e abandono à Providência
divina. O desapego das riquezas é requisito essencial para entrar no Reino dos
céus (Lc. 6, 20). Deus é um Pai exigente em relação à salvação das almas, mas é
também muito zeloso no que se refere ao bem-estar material de seus filhos
providenciando os bens materiais de que necessitam. "Buscai em
primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça e tudo o mais vos será dado como
acréscimo" porque "Vosso Pai
celeste sabe do que necessitais" (Mateus 6, 32 - 33)
Estes dez mandamentos se encerram em dois: "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo" (Marcos 12, 29 - 31).
"FIZESTE-ME CONHECER OS CAMINHOS
DA VIDA, E ME ENCHERÁS DE ALEGRIA COM A VISÃO DA TUA FACE" (Atos
2,28)