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A GENUFLEXÃO
O
sentido etimológico da palavra genuflexão, vem do latim
"genuflexione", oriunda de "genuflectere",
que significa dobrar o joelho, ajoelhar; numa forma
figurativa bajular, adular, reverenciar. Pode ser tomada,
também, como um ato de respeito, submissão. No aspecto
religioso, adorar.
O
ato de genuflectir, ou seja, dobrar o joelho, pode ser
analisado de duas formas: dobrando o joelho esquerdo
reverencia-se a majestade representando o poder humano: os
reis, rainhas, imperadores, monarcas. É a forma usual dos
súditos prestarem aos soberanos sua inteira submissão e o
mais irrestrito respeito, obediência, pondo-se ao seu
serviço para toda e qualquer eventualidade. Dobrando-se o
joelho direito é um ato de adoração, exclusivo da
Divindade. Significa o culto a Deus, pois, somente Deus é
adorado. Dessa forma não podemos dobrar o joelho direito
às criaturas, seja qual for a autoridade que represente.
Nem mesmo aos santos e nem à Virgem Maria, a Mãe de Deus.
Podemos ajoelhar-nos frente ao altar dos santos para fazer
uma oração, em sinal de respeito e veneração, jamais,
numa atitude de adoração. Estaremos cometendo um ato de
idolatria.
Qual o motivo que nos levou a refletir sobre a genuflexão? Muito simples. A
igreja é o lugar por excelência para o ato de genuflectir. Percebam bem. Não
estou me referindo à atitude de prostar-nos com os dois joelhos em terra para
rezar, pois, o ato de rezar, por si só, não significa adoração. Trata-se de uma
foram respeitosa, de humildade, quando dirigimos uma prece a Deus, aos santos,
ou à Virgem Maria. Ajoelhar-se, adorando a Deus é um ato de fé, de entrega total
ao seu poder e divindade, que só a Ele é devido. E isso podemos fazer nas nossas
casas, nos santuários e até nas grandes concentrações religiosas. Quando falamos
na igreja é porque lá, de modo especial nos é dada a oportunidade de
genuflectir, na presença do próprio Deus, na Pessoa de Jesus Cristo com o seu
Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Hóstia consagrada que se encontra no
sacrário.
Todos nós sabemos que, o que nos indica a presença de Jesus no altar, é uma
lâmpada vermelha, constantemente acesa sobre o altar. Antigamente, embora
algumas igrejas ainda mantenham a tradição, essa lâmpada era de cera, acesa num
recipiente com óleo.
Nos grandes templos, abertos geralmente o dia todo, é comum não se ver a
luzinha vermelha sobre o altar. Face ao grande movimento das pessoas, indo e
vindo em todas as direções dentro da igreja, o Santíssimo Sacramento é colocado
numa Capela lateral. O correto seria todos se dirigirem à Capela e lá, adorar a
Jesus, Deus presente, entre nós.
Voltemos ao nosso tema. Quando devemos fazer a genuflexão? Ao entrar ou sair
da igreja, vendo o sinal da presença de Jesus, fiquemos em direção ao centro do
altar e dobremos o joelho direito, nunca o esquerdo, só se algum problema sério
de saúde nos impedir. Quando digo, dobremos o joelho, significa que, apoiados no
joelho esquerdo, levemos o joelho direito até o chão. Devemos fazê-lo devagar,
com todo o respeito e principalmente com fé. E se percebermos que Jesus não está
no sacrário? Da mesma forma fiquemos frente ao altar, façamos uma reverência com
a cabeça, e, se for o caso, dirijamo-nos à capela ao lado e, se lá verificarmos
que Jesus está no sacrário, façamos a nossa genuflexão e nos ajoelhemos para
rezar. E quando a hóstia se encontra no Ostensório, no centro do altar?
Significa que estamos face-a-face com Jesus, na Hóstia consagrada. Nossa postura
será, então, diferente: devemos prostar-nos em terra, com os dois joelhos,
levantar-nos e novamente ajoelharmos. Nossa atitude será de adoração a Deus, na
Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, presente no altar.
Durante a celebração da Santa Missa, dobramos os joelhos no momento da
Consagração. É aconselhável que dobremos os joelhos na elevação da Hóstia antes
da comunhão.
Na Sexta-feira Santa fazemos a genuflexão diante do crucifixo, em sinal de
adoração ao Cristo que nela foi crucificado.
A genuflexão não pode ser feita às pressas e, muitas vezes, virados para o
lado, sem nem ao menos olharmos para o altar. A genuflexão mais do que um ato de
respeito é uma demonstração de fé. Não pode ser uma atitude furtiva, mas
consciente. Não é um hábito, uma encenação, ou um simples gesto. Trata-se de uma
profunda convicção do que estamos fazendo, ou seja, um depoimento público de fé.
E por que estamos abordando esse tema tão do conhecimento de todos nós? Não
me levem a mal, por favor, e nem pensem que estou criticando a postura de
alguém. Venho, há algum tempo observando que estamos procedendo de forma
distraída, quando passamos frente ao altar, onde a luzinha vermelha nos indica a
presença de Jesus. Alguns fazem uma reverência com a cabeça; outros um gesto
imitando uma genuflexão; alguns com o joelho esquerdo; outros passam de um lado
para o outro, repetidas vezes, num vai-e-vem, ignorando que Jesus está ali, no
sacrário.
Quando forem à igreja, notadamente, em dia de casamento, batizado, missas
solenes de aniversário e bodas, observem e tirem suas conclusões. Nunca é demais
relembrar. E precisamos sempre que alguém nos advirta. Afinal, estudamos,
ensinamos, praticamos os atos litúrgicos, infelizmente, os esquecemos, e de
pressa! . . .
Conta-se que um velho vigário levou
anos tentando converter um morador da sua paróquia. Com o passar do tempo, os
dois ficaram até amigos, mas, o padre nada conseguira. Dera muitas lições ao
infiel; emprestou-lhe muitos livros e principalmente rezava pedindo a Deus a
sua conversão. E nada! Certo dia, depois de demorada solenidade, com a celebração
da Santa Missa, esperou que todos os fiéis fossem embora e, como o sacristão
pedira para sair logo após a cerimônia, foi fechar a porta do grande santuário.
Voltando devagar, para a sacristia, quase se arrastando pelo peso da idade e
cansado dos trabalhos do dia, ao chegar em frente ao altar, aprumou-se, encheu-se
de energia e principalmente de fé e, devagar e com toda a piedade, fez a sua
genuflexão. Mal levantar foi aturdido com altos gritos vindo do fundo da igreja:
"Eu creio, padre, eu creio! Sei que Jesus está ali! Estou convertido!" O padre
olhou para trás e viu o seu velho amigo infiel correndo para ele, falando em
vós alta: "Eu quis provar a sua fé, padre! O senhor estava sozinho, foi o bastante
para me converter! ..." Na verdade, quantas pessoas poderão converter-se, com
um simples ato de demonstração de fé da nossa parte!
