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O DOM DA INDULGÊNCIA
O dom da indulgência, no ano Jubilar é oferecido com
particular abundância. No atual contexto ecumênico, a Igreja sente a exigência
de que esta antiga prática, entendida como expressão significativa da
misericórdia de Deus, deve ser bem compreendida e acolhida.
O
ponto de partida para compreender a indulgência é a abundância da misericórdia
de Deus, manifestada na cruz de Cristo. Jesus crucificado é a grande
“indulgência” que o Pai oferece à humanidade, mediante o perdão das culpas e a
possibilidade da vida filial no Espírito Santo.
Este
dom, todavia, na lógica da aliança que é o coração da inteira economia da
salvação, não nos atinge sem a nossa aceitação e correspondência.
À
luz deste princípio, não é difícil compreender como a reconciliação com Deus,
embora esteja fundada sobre uma oferta gratuita e abundante de misericórdia,
implica ao mesmo tempo um árduo processo, no qual o homem está envolvido no seu
empenho pessoal e a Igreja na sua tarefa sacramental. Para o perdão dos pecados
cometidos depois do batismo, esse caminho tem o seu centro no sacramento da
Penitência, mas desenvolve-se também após a sua celebração. Com efeito, o homem
deve ser progressivamente “curado” a respeito das conseqüências negativas, que o
pecado produziu nele (e às quais a tradição teológica chama “penas” e “resíduos”
do pecado).
À
primeira vista, falar de penas após o perdão sacramental poderia parecer pouco
coerente. Em diversos trechos do Antigo Testamento (Êx 34,6-7; 2Sm 12,13; Hb
12, 4-11), Deus demonstra-nos como é normal sofrer penas reparadoras depois do
perdão. Neste contexto, a pena temporal exprime a condição de sofrimento daquele
que, embora reconciliado com Deus, ainda está marcado por aqueles “resíduos” do
pecado, que não o tomam totalmente aberto à graça.
O
sentido das indulgências deve ser acolhido neste horizonte de renovação total do
homem em virtude da graça de Cristo Redentor, mediante o ministério da Igreja.
Precisamente em vista da cura completa, o pecador é chamado a empreender um
caminho de purificação rumo à plenitude do amor.
Neste
caminho, a misericórdia de Deus vem ao encontro com ajudas especiais.
Podemos
compreender como por indulgência se entende a “remissão, perante Deus, da pena
temporal devida aos pecados, cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel
devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela ação da
igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua
autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos”.
Existe,
portanto, o tesouro da Igreja, que através das indulgências é como que
“distribuído”. Essa “distribuição” não deve ser entendida como uma espécie de
transferência automática, como se tratasse de “coisas”. Ela é, sobretudo
expressão da plena confiança que a Igreja tem de ser escutada pelo Pai, quando
em consideração dos méritos de Cristo e, por seu Dom, e também daqueles de Nossa
Senhora e dos Santos.
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Lhe pede que mitigue ou anule o aspecto doloroso as pena, desenvolvendo o seu
sentido medicinal através dos outro percurso da graça. No mistério insondável da
sabedoria divina, este dom de intercessão pode ser benéfico também aos fiéis
defuntos, que recebem os seus frutos no modo próprio da sua
condição.
Enganar-se-á então, quem pensasse que pode receber este dom com
a simples atuação de algumas observâncias exteriores. Estas são requeridas, ao
contrário, como expressão e apoio do caminho da conversão. Manifestam em
particular a fé na abundância da misericórdia de Deus e na maravilhosa realidade
de comunhão que Cristo realizou, unindo de maneira indissolúvel a Igreja a si
mesmo como seu Corpo e sua Esposa.
(L´OSSERVATORE ROMANO – 02/10/99 ).
PARA APROFUNDAR O TEMA
O
que são as indulgências?
Indulgência é a remissão diante de Deus da pena temporal devida pelos
pecados, já perdoados no que se refere à culpa, que ganha o fiel,
convenientemente preparado, em certas e determinadas condições, com a ajuda da
Igreja que, como administradora da Redenção, dispensa e aplica com plena
autoridade o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos.
Quantas
espécies de indulgências existem?
Há duas espécies: a plenária e a parcial, segundo libertam totalmente ou
em parte da penal temporal devida pelos pecados. Tanto uma como a outra podem
aplicar-se pelos defuntos a modo de sufrágio.
Quantas
indulgências plenárias se podem ganhar por dia?
Somente uma por dia, a não ser in articulo mortis, caso em que o
fiel poderá ganhar a indulgência plenária por esse motivo, ainda que no mesmo
dia tenha ganho já outra indulgência plenária.
Que se requer para ganhar indulgência plenária?
Para ganhar a indulgência plenária requer-se:
| a) realizar a obra enriquecida
com a indulgência; b) confissão sacramental; c) comunhão eucarística; d) oração pelas intenções do papa. |
Além disso, é necessário que não exista nenhum afeto a
qualquer pecado, mesmo venial.
Quando se
devem cumprir as condições de confissão, comunhão e oração pelo Papa?
Ainda que possam cumpri-se alguns dias antes ou depois da execução da
obra prescrita, é conveniente que a comunhão e a oração pelo Papa se realizem no
mesmo dia em que se faça a obra. Com uma só confissão podem ganhar-se várias
indulgências plenárias; pelo contrário, com uma só comunhão e uma só oração pelo
Papa, somente se pode ganhar uma indulgência plenária.
Que é que se perdoa com uma indulgência parcial?
Ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, realiza uma obra
enriquecida com indulgência parcial, é-lhe concedida, por graça da Igreja, uma
remissão da pena temporal igual à que ele recebe pela própria obra.
PRINCIPAIS OBRAS INDULGÊNCIADAS
CONCESSÕES GERAIS:
1. "Concede-se indulgência parcial ao fiel que, ao
cumprir os seus deveres e ao suportar as dificul- dades da vida, eleva o
espírito a Deus, com humilde confiança, acrescentando inclusive apenas
mentalmente alguma piedosa invocação".
2. "Concede-se
indulgência parcial ao fiel que, com espírito de fé, se entrega a si mesmo ou os
seus bens com ânimo misericordioso ao serviço dos irmãos necessitados" (qualquer
necessidade: no corpo, na alma, na inteligência);
3. "Concede-se indulgência parcial ao fiel que espontaneamente, com espírito de
penitência, se priva de alguma coisa lícita que lhe é agradável".
ORAÇÕES E PRÁTICAS INDULGENCIADAS COM INDULGÊNCIA PLENÁRIA:
| Adoração ao Santíssimo Sacramento, pelo menos durante meia hora | |
| Leitura da Sagrada Escritura, pelo menos durante meia hora | |
| Exercício da Via-Sacra, diante das estações legitimamente erigidas | |
| Recitação do terço do Rosário na Igreja ou oratório ou em família, em comunidade religiosa ou em associação piedosa | |
| Recitação da oração a Jesus Crucificado nas Sextas-feiras da quaresma. Nos outros dias do ano, há indulgência parcial | |
| Assistência ao ato de clausura de congresso eucarístico | |
| Exercícios espirituais ou retiro que durem pelo menos três dias | |
| Primeira comunhão: aos que a fazem ou assistem à celebração | |
| Primeira Missa solene do neo-sacerdote e aos que assistem a mesma | |
| Datas jubilares da ordenação sacerdotal (25º, 50º, 60º aniversário ) ao sacerdote e aos que assistem à Missa, celebrada com certa solenidade | |
| Visita à Igreja catedral e paroquial no dia da festa do titular e no dias 2 de agosto | |
| Visita à Igreja ou altar no dia da sagração | |
| Visita à Igreja ou ao oratório na comemoração de todos os fiéis defuntos (só aplicável aos defuntos). Esta indulgência, com o consentimento do ordinário, pode ganhar-se no domingo anterior ou posterior ao dia de Todos os Santos | |
| Visita à Igreja e ao oratório dos religiosos na festa do santo fundador; renovação das promessas batismais, usando qualquer fórmula aprovada, no dia da vigília pascal e no dia do aniversário do batismo |
ORAÇÕES E PRÁTICAS INDULGENCIADAS COM INDULGÊNCIA PARCIAL
| A recitação do Angelus ou Regina Coeli | |
| A oração Lembrai-vos | |
| A novena antes do Natal do Senhor, do Pentecostes, ou da Imaculada Conceição, feitas em público | |
| A oração pelas vocações sacerdotais ou religiosas. A oração deve ser aprovada pela autoridade eclesiástica, com este fim | |
| A Salve Rainha | |
| A recitação da oração Alma de Cristo | |
| O ensino e o aprendizado de qualquer matéria de doutrina cristã | |
| O uso de um objeto piedoso (crucifixo, cruz, terço, escapulário, medalha) bento por um sacerdote. Se for bento pelo Papa ou por um bispo, o fiel que o usar com devoção pode ganhar indulgência plenária no dia da festa de são Pedro e são Paulo, acrescentando, com qualquer fórmula legítima, a profissão de fé. | |