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PREDESTINAÇÃO |
A doutrina de santo
Agostinho sobre a predestinação e a graça passou por fases progressivas.
Antes de 396, período pré-episcopal: vontade salvífica geral de Deus e quem
não crê age em virtude da vontade contrária do homem. Depois fala da
vontade particular de Deus.
Os eleitos pela eficácia irresistível da graça e pelo dom particular da
perseverança final, conseguirão, infalivelmente, a vida beatífica, ao passo
que aos não eleitos, faltando-lhes a graça, são destinados à perdição.
É o que se chama de agostinismo, doutrina sumamente rigorosa. Entretanto a
doutrina fiel de Agostinho é que, sem o auxílio de Deus, não podemos querer
ou fazer algo de bom.
No tratado De gratia et libero arbítrio - sobre a graça e o
livre arbítrio demonstra que o homem permanece livre sob o auxílio divino e
pode evitar o pecado se quer, e, portanto, verdadeiramente, merecer em conseqüência
a vida eterna. Portanto, os textos nos quais se encontram palavras mais duras
que parecem diminuir a liberdade do homem, devem ser elucidados pelos mais
claros. A tese de fé é esta: é dada ao homem a graça verdadeiramente
eficaz que, contudo, não é necessitante. Cumpre se admita a existência do
pecado original, a incapacidade do homem natural para operar o bem
sobrenatural,
a necessidade absoluta da graça, também para o início da fé e a graça da
perseverança final. Em síntese, para Agostinho a graça e a liberdade não
se excluem, mas se completam.
Dirá ele: "aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti".
Ensinará também entre a graça e a predestinação existe unicamente esta
diferença: a predestinação é uma preparação para a graça e a graça é
já a doação efetiva da predestinação. É assim o que diz o apóstolo:
"A salvação não provém das obras, para que ninguém se vanglorie,
pois somos todos obras de Deus, criados em Cristo Jesus para realizar boas
obras" (Ef. 2, 9 s) significa a graça; mas o que segue: "as quais
Deus de antemão dispôs para caminharmos nelas", significa a predestinação,
que não se pode dar sem a presciência, por mais que a presciência possa
existir sem a predestinação.
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho