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INCLINAÇÃO DO CRISTÃO PARA O DÍZIMO
O Cristão tende
a ser dizimista!
Essa tendência será tanto mais acentuada quanto maior seja o grau de consciência
de sua corresponsabilidade na edificação e sustento do corpo eclesial. Devemos
ser, como ensina o apóstolo Pedro, "pedras vivas no edifício
espiritual"(I Pe. 2,5)e só a participação regular da vida em comunidade
revela ao fiel as muitas carências dos recursos para uma eficaz ação
pastoral. Infelizmente é quase geral o conceito que o dízimo é um instrumento
arrecadador de dinheiro. Porém, a arrecadação deve ser vista como conseqüência
da conscientização e não o motivo principal que move alguém a se tornar
dizimista. De fato, se me comprometo a contribuir porque a Igreja precisa - e
sabemos que precisa de recursos para a sua ação apostólica, - eu posso ter
uma motivação até suficiente, porém imediatista e pouco conforme ao
verdadeiro sentido do dízimo que é o de retribuir a Deus, render-Lhe graças
por todos os benefícios recebidos. Se me convenço de que os bens todos são
gerados por Deus e colocados a serviço da humanidade e que participando
gratuitamente destes benefícios sou movido a retribuir com uma parcela
reservada aos "tesouros do templo" (cf Ml. 3,10), é quase certo que o
meu grau de motivação será mais profundo e permanecerá ainda quando as
necessidades eclesiais não pareçam tão emergenciais e urgentes. Ou seja, o
meu dever de contribuir e retribuir a Deus permanece ainda quando as carências
imediatas estejam supridas, porque as necessidades na Igreja extrapolam a dimensão
religiosa - a mais imediatamente ligada ao culto, - para chegar às dimensões
missionária e social, onde os recursos são sempre necessários - ou poderíamos
afirmar que não existem carentes a reclamar a nossa solidariedade e ajuda, ou
ainda, a missão está concluída e já não é mais necessário evangelizar? As
ajudas esporádicas, mesmo quando generosas, não promovem a utilização mais
racional e sistemática dos recursos na Igreja.
As ofertas nas celebrações,
por outro lado, são absolutamente necessárias porque a escritura nos diz:
"não comparecerás diante do Senhor com as mãos vazias" (Dt. 16,16),
porém, não substituem o dízimo e nem são por este substituídas. As ofertas,
profundamente enraizadas no ato de cultuar, são também frutos do trabalho do
homem associadas às oferendas do pão e do vinho no ofertório da Missa, de tal
sorte aquele que não se aproxima do altar fazendo sua própria oferta, ainda
que a entrega de si mesmo, não participou plenamente do ato sacrifical
realizado. O dízimo, por sua vez, está ligado à vida quotidiana da Igreja, da
qual cada dizimista faz também parte, e objetiva ser um combustível que a
dinamiza e expande. Todos os recursos obtidos, de uma ou de outra destas formas
não excludentes entre si como já se salientou, destinar-se-ão sempre a gerar
os melhores mecanismos para a Evangelização, quer sejam aplicados diretamente
na paróquia, quer se apliquem nas missões ou no suprimento de carências
sociais da comunidade. Se participar é contribuir e se contribuir é
participar, através do dízimo praticamos ambas as ações. Portanto, é próprio
do cristão e do cristão católico em particular, assumir a condição de
dizimista em sua comunidade de fé.