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Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus
Sobre a origem dessa festa daremos
umas breves pinceladas. Reconduz-se ao ressurgir das devoções eucarísticas, a
partir do ano de 1110 na França sobretudo em Liège (Bélgica). Mais
aproximadamente, está relacionada com as revelações da beata Juliana de Rétine
em Liège (1193-1258). O bispo marcou a festa em honra do “Corpus Domini”
para a quinta-feira depois da oitava da Trindade e celebrou-se pela primeira vez
em 1246. O papa Urbano IV, em conexão com o milagre de Orvieto em torno da
Eucaristia, instituiu essa festa para toda a igreja em 11 de agosto de 1264, mas
foi com Clemente V (1314) que ela ali se diufundiu com mais rapidez.
O missal romano de 1570 denomina essa festa “do Santíssimo Corpo de Cristo”
(Sanctissimi Corporis Christi ). O missal de 1970 denomina-a "solenidade do
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo" ( Corporis et Sanguinis Christi).
Completa-se assim a realidade integral do sacramento da eucaristia e assume-se o
conteúdo da festa surpresa do preciosíssimo Sangue de Jesus, que se celebra em
1º de julho.
O missal antigo continha duas leituras: 1 Cor 11, 23-29 e Jo 6, 56-59. A narração
da última ceia por Paulo acompanhava o evangelho do pão da vida de São João.
O lecionário de 1969 enriqueceu as leituras com nove perícopes distribuídas
em três anos.
Para
o ciclo A :
Dt 8,2-16, que apresenta a queda do
maná do céu como prefiguração da eucaristia; 1Cor 10,16-17 fala da fé eucarística
da comunidade de Corinto; Jo 6,51-58 acolhe parte do discurso do pão da vida,
em que Jesus promete o dom da eucaristia.
Para
o ciclo B :
Ex 24,3-8 que apresenta o sangue da
antiga aliança com que Moisés asperge o povo de Israel; Hb 9,11-15 fala de
Cristo como "mediador de uma aliança nova" realizada com seu próprio
sangue; Mc14,12-16. 22-26 descreve a última ceia com a instituição do mistério
eucarístico e aproxima assim a celebração do "Corpus" à
quinta-feira santa.
Para
o ciclo C :
Gn 14, 18-20, que apresenta a figura
misteriosa de Melquisedec oferecendo um sacrifício prefigurativo do sacrifício
de Jesus; 1Cor 11, 23-26, a narração mais antiga da instituição da
eucaristia (a. 55) e apresenta-a como banquete e memorial da morte sacrifical de
Jesus; Lc 9,11-17 descreve o milagre da multiplicação dos pão com alusão
clara à eucaristia.
As leituras da LH do ofício daquele mesmo nome são: Ex 24, 1-11 ("Viram a
Deus e comeram e beberam") e a patrística, de São Tomás de Aquino (
“Oh! Banquete precioso e admirável!” ).
Quanto à eucologia da missa, que se refere à coleta, às orações sobre as
oferendas e para depois da comunhão, estas passaram do missal de Trento ao de
Paulo VI sem mudanças. Discute-se se são composições de Santo Tomás de
Aquino ou de alguém que retoma seu pensamento sobre o mistério eucarístico.
Nesses textos subjaz a imposição devocionalista e grande distância com
respeito aos temas bíblicos e exigências celebrativas da eucaristia. Nota-se
nos textos a ausência da força celebrativa e da exigência de compromisso
existencial, fruto da eucaristia.
A novidade eucológica do missal de 1970 está nos dois prefácios da
eucaristia: um para a quinta-feira santa e outro, de nova composição, para a
solenidade do “Corpus”. Ambos podem ser usados nas missas votivas da
eucaristia, e o primeiro na missa do “Corpu”. Esses dois prefácios lograram
apresentar em forma vocacional os grandes temas eucarísticos das leituras bíblicas.
A festa de "Corpus Christi" tem forte ressonância no povo, por meio
da procissão, que se segue à missa, em que se mantém . Mas é preciso inserir
a procissão na perspectiva global da celebração e do culto ao mistério eucarístico.
Em todo caso, a festa do Corpo e Sangue do Senhor não pode livrar-se do cunho
de "dublagem" da celebração da quinta-feira santa.