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Com 80 anos, a frágil senhora de 1,40m é, para muitos presos da casa de prisão provisória, a única esperança de conforto no inferno da prisão.
A irmã Dulce de Goiás
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Numa rua sem saída do setor Norte Ferroviário mora a nossa irmã Dulce. Fomos vê-la. De vassoura de palha de coqueiro na mão, livrando-se da sujeira do raquítico pé de goiaba, que só dá fruta podre, não tem mais de 47 quilos distribuídos em 1,40. O hábito alvo que valoriza o rosto moreno, queimado de muito sol. É a irmã Margarida, amiga dos marginais, dos drogados e velha conhecida dos detentos da casa de prisão provisória, onde passa todas as manhãs de quarta-feira. Um ritual que já dura 20 anos. |
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Irmã
Margarida escolheu seu destino já aos seis anos, na cidade onde nasceu,
em Diamantina - Minas Gerais. A miúda senhora, de
80 anos, há 60 cumpre o ofício que escolheu, quando tinha apenas
6 e era, então, uma menina da mineira cidade de Diamantina. Incomum,
naquela idade, Margarida já sabia ler tudo e escrevia muito bem.
Inventava - e o faz até hoje - com letra impecável, poemas com os
ensinamentos bíblicos, escrevia mensagens para os angustiados,
inventava rezas e até músicas. É essa a mulher que, buscando de quem
tem e levando para quem não tem, consome sua aposentadoria de um
minguado mínimo, pagando o aluguel de uma família e alimentando 20
bocas, ás vezes 30, todos os dias. Ela é sempre a úlima a comer...
quando sobra.
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Vida franciscana
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Ladrão leva um sermão
e chora |
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| Conta que o ladrão saiu chorando, arrependido e prometendo mudar de vida. É essa a mulher, forte - ele nunca ficou doente - e de passos firmes, que vem cumprindo a sua missão de "disseminar a felicidade". Para isso ela conta com a força da sua única paixão, Jesus Cristo, com quem ela trava demorados diálogos, todos os dias." |
"... e já desarmei muito homem", diz a freira que também é poeta
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Aos 15 anos, irmã Margarida deixou Diamantina rumo ao Rio de Janeiro. Parou na Congregação Assunção.Lá, ficou dez anos. Depois foi enviada, em missão, para Goiás. |
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Formada em enfermagem e pregadora
irrepreensível, ia acudindo paróquias que, de repente, se viam
acéfalas. Para chegar a cada uma delas, usou canoa, jipe sem capota,
cavalo e principalmente a sua disposição física. A franzina irmã de
frágil não tem nada. Vence qualquer distância à pé. Sabe de cor, e
em forma de verso, o nome de todas as cidades por onde passou. A estrofe
mais curiosa é formada pelos municípios que, antes de emancipados
tinham nomes curiosos: Andei em Gomim;
Lagartixa;
Bugiganga;
Pindaíba;
Petengo;
Cachorro sentado;
Paletó rasgado;
Quiabo assado;
Cacete armado;
Parei em pirraça. |
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dúzia de armas brancas - facas, chuço - e outro tanto de revólveres, cassetetes e tudo o mais que os homens rudes usavam como armas contra suas mulheres ou brigas de bar. |
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