\n'; document.write(barra); } } changePage();
PRINCÍPIOS E DIMENSÕES DA LITURGIA
Para uma profunda
consciência de liturgia, numa
visão geral e num aprendizado sério, assimilando o ensinamento
tradicional da Igreja sobre o mistério litúrgico, devemos inicialmente dizer que
a norma da oração é a norma da
fé, ou seja, aquilo que
rezamos
é aquilo que cremos. Daí, o adágio litúrgico: “Lex orandi, lex
credendi”. Portanto, não
rezamos e cantamos na
liturgia, mas rezamos e
cantamos a liturgia. Este
princípio fundamental está a exigir profunda mudança na nossa pastoral litúrgica, em
sentido amplo, o que, às vezes, não tem sido objeto de reflexão.
A palavra liturgia (do grego “laos”, que significa povo, e “ergon”, que significa obra, trabalho,) é algo que se faz. Etimologicamente, e em sentido primitivo, liturgia significa, pois, serviço do povo, e no vocabulário teológico da Igreja, mesmo com as reformulações mais atuais e expressivas, significa, sempre, celebração do povo, enquanto assembléia por Deus convocada. Não é portanto a liturgia discurso, mas prática, atividade, ação. Em documentos de liturgia, é traduzida, com acerto, como ação sagrada ou ação simbólica. O conceito de ação é, pois, empregado com frequência pelos textos do Concílio Vaticano II, unido aos adjetivos “eclesial”, “sagrada”, “pastoral” ou “apostólica”, destacando-se a ênfase dada à liturgia como ação sagrada por excelência, onde nenhuma outra ação da Igreja se encontra no mesmo nível (Cf. SC 7d). Toda a liturgia é, portanto, ação simbólica, que, servindo-se de sinais sensíveis e visíveis, aponta para o mistério insondável de Deus.
A liturgia, como se vê, não é mera devoção, catequese ou simplesmente ocasião de culto. É ação de Cristo no projeto redentor de Deus, que se faz visível na Igreja. Aqui, o grande liturgo é, verdadeiramente, Cristo, no exercício de seu sacerdócio real, ao qual, pelo batismo, ele incorpora todos os fiéis. Esta ação, sagrada por excelência, volta a dizer, aponta para o compromisso libertador e missionário de todo o povo de Deus.
Focalizando ainda outros princípios e dimensões da liturgia, podemos dizer que ela é:
TRINITÁRIA
Nesta dimensão, o Pai é fonte da liturgia; o Filho, sua centralidade, e o Espírito Santo, sua alma, seu sopro vitalizante. Sendo, pois, Cristo o centro da liturgia, a Igreja ensina que o coração desta, isto é, o seu núcleo vital, é o Mistério Pascal, com toda a sua eficácia redentora. Daí, a ênfase litúrgica, sempre, mas principalmente na grande doxologia: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”.
MISTÉRICA
A
liturgia contém o mistério de Deus, que a Igreja anuncia, celebra e
procura viver na dinâmica e na espiritualidade do Evangelho. E como a
liturgia abarca o mistério
divino, ela é também, como consequência, mistério, e, como tal, escapa ao conhecimento
simplesmente racional. De fato a liturgia não se limita ao espaço
temporal, mas é celebrada eternamente no céu, e do céu é trazida por
Cristo, como o cântico de louvor que ressoa vivamente nas moradas
celestes. Também não é - diga-se - função da liturgia discursar sobre o
mistério, mas celebrá-lo e
vivê-lo na simplicidade dos símbolos. Na liturgia, o mistério não é, pois,
racionalizado, como nos estudos teológicos, mas vivido e celebrado, mesmo então por gente
simples, uma vez que o sujeito primeiro da liturgia é a assembléia
celebrante, na sua diversidade cultural e de ministérios.
COMUNITÁRIA
Na catequese litúrgica deve-se enfatizar que a liturgia não é individual, subjetiva, mas ação da Igreja, portanto ação comunitária, centrada, como já se falou, no Mistério Pascal de Cristo, que se celebra sobretudo na Eucaristia. Na liturgia, o “eu” individual, psicológico, cede lugar ao “nós” comunitário e litúrgico, em verdadeira participação, sem perder, porém, a sua identidade pessoal.
BÍBLICA
Nesta
dimensão, a Palavra de Deus se faz, sacramentalmente, palavra de salvação, e o
sacrifício redentor de Cristo dá às celebrações eficácia redentora. Por
isso, na liturgia, a Palavra de Deus não é simplesmente lida, mas proclamada, celebrada, para ser devidamente
ouvida e vivida.
HIERÁRQUICA
Quando se diz que a liturgia é hierárquica, diz-se que ela se identifica com a natureza da Igreja. Portanto, é exercida em graus diversos, mas na unidade da assembléia celebrante. Na hierarquia, tanto da Igreja como da liturgia, tudo é serviço que se presta ao povo de Deus e a Deus. A dimensão hierárquica da liturgia é, pois, de longo alcance: diz respeito ao tempo litúrgico, às próprias celebrações, aos ritos, aos cantos etc..
ESCATOLÓGICA
Com
esta dimensão, o Concílio Vaticano II ensina que a liturgia antecipa, no tempo,
a glória futura dos filhos de Deus, e a ela se ordena. “Na liturgia terrena, antegozando,
participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de
Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos” (Cf. SC nº 8).
LAUDATÓRIA
A liturgia é puro louvor de Deus, na linguagem de um povo orante, que Cristo inaugurou nesta terra de exílio, e que a Igreja repete pelos séculos, na maravilhosa variedade de suas formas (Cf. Constituição Apostólica “Cântico de Louvor”, de Paulo VI). É, pois, a mais viva expressão da Igreja e verdadeira epifania da comunhão sobrenatural, tornando-se, na verdade, manifestação visível da comunhão invisível.
Eduardo Rocha Quintella
eduardoquintella@superig.com.br
fone: 3213-4393- Belo Horizonte
MG