|

PARAPSICOLOGIA
autor:
Pablo Garulo
fonte:
Revista de
Parapsicologia número 24 |
|
O Caminhos
semelhantes Parapsicologia e Hipnose, duas disciplinas
aparentadas, senão por seus objetivos, ao menos pelo desenrolar de suas
histórias agitadas. Poucos temas científicos deram lugar a tantas
controvérsias, denúncias, avanços e recuos. Quantas comissões de
investigação foram criadas desde o século XIX para dar veredicto
científico dos fenômenos hipnóticos e parapsicológicos. Quantos
mistificadores alimentaram suas crendices na aura de aparente mistério que
envolve estas disciplinas. O fim do século XVIII
viu surgir um
revolucionário método de cura criado pelo dr. Mesmer, médico de Viena, que
lançaria a teoria dos fluídos ou magnetismo animal. Seus pacientes, em
contato com uma tina cheia de água "magnetizada", e em contato também uns
com os outros, entrariam em convulsões cada vez mais violentas atpe
atingirem o "climax", o relax e às vezes o desaparecimento dos sintomas.
Baldes com água, ímans e outros objetos mgnetizados serviam como
instrumentos terapêuticos.
A medicina oficial da época não
aceitou as teorias bizarras de Mesmer e seus discípulos.
Mas junto com a
negativa razoável duma teoria enraizada em velhas idéias ocultistas, a
medicina oficial negou também a autenticidade dos fenômenos ocorridos com
os magnetizados. Se uma moça cega desde os 4 anos recuperava a visão, se
um hidrópico se desinchava,
se um paralítico movimentava o membro inerte;
tudo isso era, para
a medicina da época, não era real, mas fruto da
imaginação dos presentes. Assim, os acadêmicos bem comportados negavam os
fatos, não porque estes não fossem reais, mas porque não sabiam
explicá-los. Quem não percebe a relação entre esta atitude de
avestruz da medicina de 170 anos atrás e a atitude severa dos cientistas
do nosso século face a casos bem confirmados de clarividência,
precognição,
telepatia, movimentação de
objetos à distância, etc? Com freqüência, a física oficial, não podendo enquadrar o fenômeno
parapsicológico nos parâmetros de suas leis, negava-o, classificando
os
corajosos pesquisadores do psiquismo humano entre a categoria dos charlatões.
Porém, os fatos existem para quem não quer fechar
obstinadamente os olhos. Cientistas de prestígio estudaram a hipnose,
desmentiram as teorias mirabolantes de Mesmer, Puységur e outros
iniciadores, mas não puderam desmentir os fatos apresentados por aqueles.
Analisando os fatos, formularam teorias mais de acordo com as manifestações e encarando críticas, ceticismos e dúvidas conseguiram
arrancar a hipnose da feitiçaria, encantamentos e sobrenaturalismos gratuitos. Também a Parapsicologia passou pela etapa de grosseiras
interpretações dos fatos: espíritos dos mortos, demônios, entidades do
além
foram tentados pela isca de pesquisadores menos avisados. Surgiram teorias
que hoje consideramos ingênuas. Mas, aos poucos, o joio foi separado do
trigo, chegando-se a conclusões sólidas. A Parapsicologia ganhou um lugar
ao sol no restrito mundo da Ciência
uma vez que conseguiu provar
definitivamente os fatos e suas relações com o ser humano vivo. Para uns, a hipnose é um fenômeno que somente pode ser descrito em
termos patológicos. Outros levam a hipnose a alterações histológicas e até
bioquímicas do sistema nervoso central. Os neurologistas e reflexologistas
soviéticos, na linha pavloniana, interpretam a hipnose como uma exaltação
particular de certas áreas cerebrais. Ainda hoje, alguns afirmam que a
hipnose é um estado de hiper-sugestão no qual as sugestões são aceitas e
executadas com mito mais amplitude que no estado de vigília.
A teoria da
dissociação da personalidade era uma das mais populares em décadas
passadas e ainda encontra defensores. Finalmente, segundo a escola
psicanalítica, a hipnose provoca uma regressão parcial do sujeito passivo
para um estado de dependência e de credulidade infantil. O hipnotizador
representaria então a imagem quase onipotente da autoridade paterna. Ninguém sabe tampouco porque uma pessoa apresenta percepções
extrasensoriais em determinadas circunstâncias e não em outras. Para a
telepatia, por exemplo, existem dois tipos de teorias radicalmente
contraditórias: os que tentam explicá-la em base de uma transmissão de
energia qualquer (transmissão de ondas, energia psíquica, teoria da
ressonância, do tipo "sem fios", teoria do campo físico, radiações
captadas pelo "sexto sentido", etc.); e aqueles que não admitem a
possibilidade física ou a sensorialidade do fenômeno telepático.
Certamente, os defensores da não sensorialidade das faculdades psi-gamma
são os mais numerosos e de maior gabarito científico. Não obstante
as relações e as interpretações mais recentes, ninguém pode ainda
descrever com precisão científica absoluta as modificações da
personalidade
e do cérebro de um indivíduo hipnotizado ou de uma pessoa
no
momento de uma percepção extrasensorial. Ambas disciplinas
apresentam problemas ainda não resolvidos.
As duas passaram também por
períodos de êxito e de decadência.
E as dúvidas, objeções e críticas sobre
elas lançadas devem-se também a seus contatos, às vezes demasiado freqüentes, com a charlatanice, truques, comédias e ocultismo, o que levou
muitos pesquisadores sérios a se afastarem destes dois campos de
investigação científica tão importantes e necessários para
um maior
conhecimento do psiquismo humano. Já desde os tempos do mesmerismo, os primeiros hipnotizados admiravam-se de alguns fatos
acontecidos com seus pacientes.
Perceberam que certos sujeitos
"magnetizados" podiam conhecer o passado, presente e futuro não pelos
canais comuns dos sentidos. Os primeiros hipnotizadores
constataram com bastante freqüência fatos parapsicológicos entre seus
pacientes em transe. Tanto assim que a Academia de medicina de Paris, na
década de 1830, interessou-se vivamente
não só pela hipnose, mas
principalmente por certos fenômenos incomuns e inexplicáveis na época.
Os modernos testes de ESP (percepção extra-sensorial) sob hipnose. A
freqüência das manifestações
PSI sob estado hipnótico levou
alguns pesquisadores a classificarem o fenômeno parapsicológico como uma
conseqüência ou característica
do estado sonambúlico.
A tentativa de
assimilação, porém, mostrou-se incoerente desde o momento em que as
pesquisas de laboratório evidenciaram que muitos sujeitos obtinham
resultados altamente positivos sem estarem hipnotizados. A
constatação experimental de que psi não precisa necessariamente da hipnose
para se manifestar não invalida, porém, o fato de que em inúmeros casos,
hipnose e percepções extra-sensoriais apresentaram-se unidas. Esta freqüente familiaridade levantou uma hipótese de trabalho geral: A hipnose
favorecia as percepções extra-sensoriais?
Se assim fosse, tornar-se-ia um
instrumento de trabalho inestimável nas experiências de laboratório. Sabe-se que o fenômeno psi é essencialmente inconsciente.
Às vezes
estas percepções inconsciente chegam à consciência dramatizadas em forma
de sonhos, alucinações, intuições, etc.
Sabe-se também que por meio da
hipnose pode-se mergulhar nas profundezas do psiquismo, trazendo à tona
certos processos inconscientes.
Por que, então, o hipnotismo não seria o
instrumento por excelência para "pescar" , nos abismos do
EU subliminar,
as percepções inconscientes da faculdade psi-gamma? Haveria que
estabelecer uma metodologia segura. Seria necessário discriminar numa
mesma pessoa sua capacidade de obter resultados significativos, primeiro
em estado normal de vigília, depois em estado hipnótico.
Se nesta última
condição os resultados superassem os obtidos em vigília, estaria
confirmada a hipótese inicial. Por outro lado, as pesquisas
realizadas atendendo ao grau de
|
|
motivação das pessoas, assim como a
disposição psicológica a favor ou contra a fenomenologia, provam que os
melhores resultados em ESP estão em relação direta com o maior grau de
motivação ou aceitação nas pessoas. Uma nova possibilidade se abria,
então, para aproveitar o fator motivação, aumentando-o consideravelmente
com a sugestão hipnótica. O próprio Dr. J. B. Rhine, em 1936
realizou uma série de testes de psicocinesia com dados. Trabalhou com 5
sujeitos. Em estado de vigília, os resultados superaram um pouco o nível
do acaso, com média igual a 4,19. Em hipnose e com a sugestão
pós-hipnótica de que logo obteriam melhores pontos, os resultados caíram
por baixo do esperado pela casualidade, 3,99. Por não se obterem
resultados notavelmente diferentes dos conseguidos no estado de vigília,
Rhine abandonou o uso da
hipnose em suas pesquisas.
Algumas
conclusões Para analisar adequadamente qualquer tipo de fenômeno
parapsicológico, as pesquisas quantitativas de laboratório são
absolutamente necessárias. Mas o ambiente de um laboratório apresenta a
dificuldade, até o momento, de desfigurar a experiência: diminui a
espontaneidade do sujeito, obrigando-o a submeter-se aos controles
exigidos pelo pesquisador. As manifestações espontâneas de psi, na vida
diária, respondem a circunstâncias existenciais dos sujeitos, sendo
acompanhadas, em geral de fortes cargas de emoção ou afetividade. No
laboratório, a emoção e a afetividade ficam praticamente no lado de fora. A análise parapsicológica dos casos espontâneos é tão importante
quanto as pesquisas de laboratório. Um naturalista poderá estudar até
certo ponto o comportamento de um leão na jaula do jardim zoológico, mas
esse leão enjaulado não será o mesmo que vive em liberdade nas savanas da
África. Ao naturalista de gabinete lhe faltariam dados absolutamente
essenciais para conhecer a fundo o comportamento dos animais. Tirar conclusões da relação existente entre hipnose e
parapsicologia, apenas baseados nas experiências de laboratório seria
correr o risco do naturalista de zoológico; o leão não poderá mordê-lo,
nem perseguí-lo, mas também não mostrará ao investigador toda sua força e
comportamento. As experiências de psi e hipnose no laboratório não
nos permitem tirar conclusões radicais. Apenas diria que a hipnose parece
mostrar-se como um instrumento de trabalho bastante promissor. Em vista
dos fatos, a hipnose é válida quando usada como instrumento de sugestão
para conseguir uma atitude favorável por parte do sujeito face à
experiência. Como motivadora, a hipnose ajudaria a tirar possíveis
barreiras psíquicas inconscientes. A hipnose e a fantasia das
recordações de vidas anteriores. Não é raro encontrar pessoas que
identificam experiências da chamada regressão de idade, como experiências
parapsicológicas. O folclore de ocorrências a respeito da
"regressão de idade" é vastíssimo e, se encarado com humor, muito
divertido. As primeiras tentativas de transformar um adulto de 40 anos
numa criancinha de colo foram praticadas pelos americanos. Era evidente
para eles que a pessoa hipnotizada e "regredida" assumia por completo as
características e o comportamento de um bebê: chorava, gatinhava, tomava
mamadeira, etc... Não satisfeitos com estas proezas, conduziram o
hipnotizado às paragens úmidas e quentes de seus tempos de feto. Nada
permanecia oculto, era possível recordar tudo, até o momento da concepção;
lembravam-se do choque doloroso que o espermatozóide incutia no óvulo. Em meio ao entusiasmo destas práticas, só os mais sensatos
advertiram que um feto nunca falou até hoje e que uma criança de 6 meses
seria incapaz de saber o que o hipnotizador está querendo. Por outro lado,
existia a prova que mais poderia desestimular este crescente mercado de rejuvenescimento: o adulto é capaz de imitar a posição fetal e é capaz de
imitar o comportamento de uma criança, e isto de uma maneira consciente.
Surgiu então a maior objeção: não estaria o adulto hipnotizado e
"regredido" brincando de criancinha? Não pretendo negar que a
concentração da memória com a ajuda da hipnose, permita a algumas pessoas
encontrar de novo uns detalhes esquecidos ou reviver acontecimentos muito
distantes e apagados de sua memória normal. Isto não seria impossível. Mas
o problema está no exagero ou na mistificação de uma técnica, que às vezes
pode ser útil, transformando-a na panacéia que ajudaria a curar todos os
males do psiquismo. Poucos são os psicoterapeutas que se servem dela nos
tratamentos de problemas psicológicos. E os que ainda a usam são
conscientes de que o sujeito mesmo hipnotizado pode ser um excelente ator
que usa a hipnose como palco de seus devaneios. Obter, portanto,
algumas recordações aparentemente apagadas até da primeira infância, pode
ser...Mas não pararam por aí os aventureiros deste "túnel do tempo" em
miniatura. Descobriram "cientificamente" ( a simples leitura desta palavra
é para muitos uma prova irrefutável) que a regressão na idade era um
objetivo insignificante, pois conseguiram "recordações" não só do
comportamento arrojado do espermatozóide, mas de experiências passadas
pelo hipnotizado em "vidas anteriores". Um americano chamado Morey
Bernstein, divertia-se brincando de hipnotizador, por volta de 1955. Numa
de suas brincadeiras hipnotizou e "regrediu" a um tal de Ruth Simon,
pseudônimo de Virgínia Tighe como mais tarde seria comprovado. Mas a
"regressão" foi tão eficiente que Virginia não só obteve lembranças de sua
vida intra-uterina, mas descobriu que viveu uma existência anterior como
irlandesa, um século e meio antes, chamando-se na época Bridey Murphy. Como bom homem de negócios, Bernstein intuiu de imediato que o
caso B. Murphy poderia ser uma fonte de renda colossal, se adequadamente
enfeitado e retocado num livro "científico". E o grande livro oi para o
prelo. Numa simples coleção atingia de saída 175.000 exemplares. Em edição
de bolso passou dos 800.000. Era a prova "científica" de que a
reencarnação era um fato evidente. Virgínia descrevia com todo detalhe sua
vida de camponesa irlandesa. Os lugares e certas pessoas que ela citava,
existiram, portanto não havia fingimento, mas para eles eram lembranças
autênticas. Uma loucura coletiva se desencadeou na época.
Em
Louisiana, um americano descrevia sua vida de índio em 1800 e de soldado
espanhol em 1492. Em Toronto, uma senhora descobria Ter vivido no século
XVII. Em Búfalo, uma mulher foi cavalo, porém numa época que ela não soube
identificar. Em Oklahoma,
um jornaleiro de 19 anos, chamado Richard Swink,
suicidou-separa ir ver por sí mesmo, o que se
passava do outro lado da
morte... O livro de Bernstein fomentou o
uso da hipnose em
milhares de reuniões onde se achava reencarnações à vontade. Um
hipnotizador do Oeste fez, inclusive, publicar um anúncio no qual
comunicava a possibilidade
de ajudar outras pessoas a encontrarem suas
"existências anteriores" com prévio abono, naturalmente, de 25 dólares. A verdade, às vezes, caminha capengando, mas sempre chega aos
lugares onde é procurada. Comprovou-se que tudo quanto dona Virgínia tinha
falado de sua vida era falso e que os detalhes com que adornava as
descrições, lhe tinham sido contados por uma senhora idosa irlandesa que
às vezes introduzia em seus relatos, frases em gaélico. A hipnose
pode despertar recordações adormecidas que servem para dramatizar ou
fingir uma vida anterior. Às vezes, no estado hipnótico ou em outros
estados alterados de consciência,
a pessoa poderá inclusive obter
informações do passado por via extra-sensorial (retrocognição). Veja mais
sobre regressão às
vidas passadas.
|